domingo, 25 de outubro de 2026
Cultura e Pontos Turísticos

Forró faz parte da identidade musical e cultural da Paraíba

O forró ocupa lugar central na identidade musical e cultural da Paraíba. Entenda a importância do gênero, seus principais ritmos, instrumentos, formas de transmissão e maneiras de valorizar essa tradição.

O forró na Paraíba é mais do que um gênero musical. Ele está presente nas festas juninas, nos encontros comunitários, nos salões de dança, nos festivais e nas lembranças familiares. Ao reunir música, dança, celebração e transmissão de conhecimentos, o forró se tornou uma das principais expressões da identidade musical e cultural do estado.

Essa tradição aparece em diferentes formatos e repertórios. Pode ser encontrada no forró de raiz, no baião, no xote, no xaxado, no arrasta-pé, no rojão, no coco e em outras manifestações relacionadas às matrizes tradicionais do forró. A diversidade mostra que o termo não identifica apenas um ritmo, mas um conjunto de práticas culturais construídas e transformadas ao longo do tempo.

O que o forró representa para a cultura da Paraíba

Na Paraíba, o forró funciona como uma forma de expressão coletiva. As músicas falam de afetos, saudade, migração, trabalho, religiosidade, cotidiano e relação com o território. As letras também registram experiências de comunidades nordestinas e ajudam a manter vivas histórias que atravessam gerações.

O forró está ligado principalmente às celebrações populares e às festas juninas, mas não se limita ao calendário de junho. Rodas de dança, apresentações musicais, oficinas, encontros de sanfoneiros e eventos culturais mantêm a tradição ativa durante todo o ano.

Essa presença contínua contribui para que crianças, jovens e adultos tenham contato com instrumentos, ritmos, passos de dança e repertórios tradicionais. Em muitos casos, o aprendizado ocorre de maneira informal, pela observação e pela convivência com músicos, dançarinos, mestres e grupos culturais.

Reconhecimento como patrimônio cultural

As Matrizes Tradicionais do Forró foram reconhecidas como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, em dezembro de 2021. O registro foi feito no Livro das Formas de Expressão e considera a abrangência nacional dessa manifestação.

O reconhecimento não se refere somente às canções ou aos shows. Ele inclui os ritmos, as danças, os instrumentos, as celebrações, os modos de ensinar e aprender, os conhecimentos relacionados à fabricação de instrumentos e os espaços onde o forró acontece.

A mobilização para o registro teve participação de grupos e entidades ligados ao forró na Paraíba. O pedido foi encaminhado ao Iphan pela Associação Cultural Balaio Nordeste, sediada em João Pessoa, e contou com apoio de instituições e representantes da cultura paraibana. O processo envolveu pesquisas, encontros, escutas e documentação de práticas relacionadas ao gênero.

O Iphan explica que as Matrizes Tradicionais do Forró formam um universo cultural que envolve sons, passos, histórias, encontros, modos de vida e formas de celebração.

Os principais ritmos associados ao forró

Uma das características do forró é a diversidade de ritmos reunidos sob a mesma denominação. Cada modalidade possui andamento, estrutura, maneira de tocar e forma de dançar próprias.

O baião tem forte presença no repertório nordestino e costuma ser associado a melodias marcantes e ao diálogo entre sanfona, zabumba e triângulo. O xote apresenta andamento mais cadenciado e é tradicionalmente dançado em pares, com passos próximos e deslocamentos laterais.

O xaxado possui relação histórica com manifestações do sertão. Já o arrasta-pé é associado ao ritmo acelerado das festas e dos bailes populares. Também fazem parte desse universo o rojão, o coco, o chamego, o forró-samba e outras formas musicais identificadas em diferentes comunidades e regiões.

Por isso, não existe uma única maneira de tocar, cantar ou dançar forró. A expressão apresenta variações regionais e mudanças provocadas pela circulação de artistas, pela influência de outros gêneros e pela criação de novas gerações de músicos.

Sanfona, zabumba e triângulo

O trio formado por sanfona, zabumba e triângulo é uma das formações mais conhecidas do forró tradicional. A sanfona conduz melodias e harmonias; a zabumba organiza a base rítmica; e o triângulo reforça a marcação e dá brilho à execução.

Outros instrumentos também fazem parte das práticas relacionadas ao forró, como pandeiro, rabeca, pífano e fole de oito baixos. A escolha dos instrumentos varia de acordo com a região, o grupo musical, o tipo de apresentação e o repertório.

O patrimônio cultural está tanto no som produzido quanto no conhecimento necessário para tocar e construir instrumentos. A manutenção desses saberes depende da existência de músicos, artesãos, professores, grupos culturais, espaços de apresentação e público interessado.

Como o forró é transmitido entre gerações

A transmissão do forró ocorre por diferentes caminhos. Famílias ensinam canções e passos de dança em casa; mestres orientam aprendizes; músicos mais experientes acompanham novos instrumentistas; e grupos culturais organizam oficinas, ensaios e apresentações abertas.

Em muitos contextos, o aprendizado não segue uma metodologia formal. A pessoa aprende observando, repetindo, acompanhando o ritmo e participando das festas. Esse processo de convivência é importante porque preserva não apenas a técnica, mas também o significado social do forró.

Escolas, projetos culturais e instituições de ensino também podem contribuir para a continuidade da tradição. Aulas de sanfona, percussão, dança e história da música nordestina aproximam o público mais jovem do patrimônio cultural e ampliam as possibilidades de participação.

O Plano de Salvaguarda das Matrizes Tradicionais do Forró, elaborado pelo Iphan, prevê ações relacionadas à valorização profissional, à mobilização social, à pesquisa, à documentação e à difusão desse patrimônio.

Festas juninas e espaços de convivência

As festas juninas são uma das principais portas de entrada para o contato com o forró na Paraíba. Nesses eventos, a música acompanha quadrilhas, apresentações de grupos, encontros familiares, feiras, celebrações religiosas e bailes.

O ambiente festivo também ajuda a aproximar pessoas de diferentes idades. Crianças conhecem os ritmos por meio das quadrilhas e das atividades escolares; jovens descobrem artistas e novas formas de dançar; adultos e idosos compartilham repertórios, histórias e memórias.

Além das festas juninas, o forró pode ser vivenciado em casas de show, centros culturais, associações, festivais, projetos comunitários e encontros de dança. Esses espaços são importantes para a circulação de artistas e para a geração de renda de músicos, produtores, técnicos, dançarinos e trabalhadores ligados à cultura.

Como valorizar o forró na Paraíba

Valorizar o forró começa pelo reconhecimento de seus mestres, artistas e grupos. Prestigiar apresentações de músicos locais, participar de atividades culturais e consumir produções de artistas paraibanos são formas diretas de fortalecer a cadeia cultural.

Também é possível conhecer o repertório tradicional, pesquisar a história dos instrumentos, aprender passos de dança e visitar exposições, rodas de conversa e oficinas quando essas atividades estiverem disponíveis. O contato com fontes institucionais, acervos e projetos de memória ajuda a compreender a dimensão histórica da manifestação.

Outra atitude importante é respeitar a diversidade do gênero. O forró pode aparecer em formações tradicionais ou em arranjos contemporâneos, desde que suas referências sejam tratadas com responsabilidade. A renovação faz parte da cultura, mas não elimina a importância dos saberes mais antigos.

Para quem deseja começar a dançar, uma opção é procurar aulas, bailes e oficinas promovidos por escolas de dança, centros culturais e coletivos locais. Não é necessário dominar os passos antes de participar. O aprendizado costuma ocorrer de forma gradual, com atenção ao ritmo, ao movimento do par e à convivência com outros dançarinos.

Uma tradição que continua em transformação

O forró permanece vivo porque consegue dialogar com diferentes épocas sem perder sua ligação com a cultura nordestina. Novas composições, arranjos e formas de apresentação convivem com repertórios tradicionais e com modos de tocar transmitidos por mestres.

Em 2026, o Iphan informou que a candidatura do forró a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade foi entregue à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco. A iniciativa amplia o reconhecimento internacional de uma expressão cultural que já possui registro como patrimônio brasileiro.

O portal oficial do Iphan sobre o forró apresenta a manifestação como um conjunto de tradições de música e dança originárias do Nordeste, incluindo baião, xote, xaxado, arrasta-pé, rojão e coco.

Na Paraíba, essa história ganha força na atuação de músicos, dançarinos, pesquisadores, produtores, associações e comunidades. Por isso, falar sobre o forró é falar também sobre memória, pertencimento, trabalho, celebração e continuidade cultural. Mais do que uma trilha sonora das festas, o forró é uma forma de reconhecer a identidade de um povo e manter seus saberes em movimento.