domingo, 25 de outubro de 2026
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Vale dos Dinossauros, na Paraíba: como visitar o sítio com pegadas fossilizadas

O Vale dos Dinossauros, em Sousa, na Paraíba, é uma unidade de conservação que protege pegadas fossilizadas de animais pré-históricos. Saiba o que conhecer, como funciona a visitação e quais cuidados tomar durante o passeio.

O Vale dos Dinossauros na Paraíba é uma das principais atrações de turismo científico do Sertão brasileiro. Localizado no município de Sousa, o espaço preserva marcas deixadas por animais que viveram há milhões de anos e permite ao visitante observar rastros fossilizados em seu ambiente natural.

O local integra o Monumento Natural Vale dos Dinossauros, uma unidade de conservação administrada pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente da Paraíba (Sudema). A área mais conhecida fica no sítio Passagem de Pedras, na Bacia do Rio do Peixe, e conta com passarelas, mirantes, trilhas e estrutura de visitação.

Para quem pretende conhecer o atrativo, é importante entender que o passeio não é um parque temático. As principais atrações são formações rochosas, pegadas fossilizadas, informações científicas e a paisagem do Sertão. Por isso, a visita depende da preservação do ambiente e do acompanhamento de profissionais.

O que é o Vale dos Dinossauros

O Vale dos Dinossauros é um sítio paleontológico formado por diferentes áreas com registros de animais pré-históricos. As marcas observadas no solo são chamadas de icnofósseis: evidências da atividade de seres vivos, como pegadas, trilhas e rastros, preservadas em rochas.

As pegadas se formaram quando os animais caminharam sobre sedimentos úmidos, provavelmente em ambientes associados a rios e lagos. Com o passar do tempo, esses sedimentos foram compactados e transformados em rocha. A erosão expôs parte dos registros, permitindo que pesquisadores identificassem os rastros.

De acordo com a Sudema, a região reúne marcas relacionadas a aproximadamente 80 espécies que habitaram uma área de cerca de 704 quilômetros quadrados da Bacia do Rio do Peixe. Os números se referem ao conjunto de ocorrências paleontológicas da região, e não apenas a um único ponto de visitação.

Onde fica o atrativo

O núcleo mais visitado do Vale dos Dinossauros está no sítio Passagem de Pedras, na zona rural de Sousa, município localizado no oeste da Paraíba. A área fica a aproximadamente 7 quilômetros do centro da cidade, conforme informações do plano de manejo do Monumento Natural.

Sousa é conhecida regionalmente como a “cidade dos dinossauros” justamente pela presença dos registros paleontológicos. A identidade do município também aparece em monumentos, estabelecimentos comerciais e eventos ligados à paleontologia e ao turismo.

O Vale, porém, não se resume a uma única trilha. A unidade de conservação abrange uma área mais ampla da Bacia do Rio do Peixe, com ocorrências em diferentes municípios e localidades. Para o visitante comum, o ponto de Passagem de Pedras concentra a estrutura preparada para receber o público.

O que o visitante encontra

A visita inclui a observação de pegadas e trilhas fossilizadas em áreas protegidas. Passarelas e mirantes ajudam a reduzir o contato direto com as rochas e organizam o deslocamento dos grupos. A estrutura também favorece a visualização dos rastros sem que os visitantes precisem caminhar sobre as marcas.

O espaço possui ainda um museu ou centro de visitação com informações sobre os animais que habitaram a região, a formação das rochas e os estudos realizados na Bacia do Rio do Peixe. O acervo e os painéis ajudam a explicar por que uma pegada, mesmo sem a presença do esqueleto do animal, pode ser importante para a ciência.

Durante o passeio, o visitante pode observar diferenças entre os rastros, como tamanho, profundidade, distância entre as marcas e direção da caminhada. Esses elementos ajudam os pesquisadores a estimar características do animal, como porte, velocidade aproximada e forma de deslocamento. Essas interpretações são feitas por especialistas e não devem ser tratadas como conclusões visuais feitas pelo público durante a visita.

Horários e visitas guiadas

A página institucional da Sudema informa que o Vale dos Dinossauros funciona de terça-feira a domingo, com visitas guiadas às 9h, 10h, 11h, 15h e 16h. O atendimento não é indicado para as segundas-feiras, quando a unidade pode permanecer fechada para manutenção ou organização interna.

Como horários de unidades de conservação podem ser alterados por obras, condições climáticas, feriados ou atividades especiais, é recomendável confirmar a programação antes de sair de casa. A própria Sudema é o canal institucional mais seguro para verificar eventuais mudanças.

Também é importante chegar com antecedência. Mesmo quando a visitação ocorre em mais de um horário, o atendimento pode depender da formação de grupos e da disponibilidade de guias. A página oficial consultada não apresenta, de forma clara e atualizada, uma tabela de preços ou um sistema permanente de reserva on-line. Por isso, o visitante deve confirmar previamente se há cobrança, necessidade de agendamento ou regras específicas para grupos escolares e excursões.

Quanto tempo dura o passeio

O tempo necessário depende do ritmo do grupo e das atividades realizadas. Quem deseja apenas conhecer as passarelas e observar algumas pegadas pode fazer uma visita mais curta. Já grupos interessados no museu, nas explicações do guia e na história geológica da área devem reservar mais tempo.

Para aproveitar melhor a experiência, vale evitar horários muito apertados entre a chegada a Sousa e a saída da cidade. A visita guiada tem horário definido, e o deslocamento até o sítio Passagem de Pedras deve ser considerado no planejamento.

Como se preparar para a visita

O Vale dos Dinossauros está em uma área do Sertão paraibano, onde podem ocorrer temperaturas elevadas e forte exposição ao sol. Roupas leves, calçados fechados e confortáveis, chapéu ou boné e protetor solar são itens úteis para o passeio.

Também é recomendável levar água, especialmente em períodos quentes. O visitante deve evitar deixar resíduos, retirar pedras, tocar nas marcas ou subir nas áreas protegidas. Mesmo uma ação aparentemente pequena pode causar desgaste em um registro que levou milhões de anos para se formar.

Pessoas com mobilidade reduzida, idosos e famílias com crianças devem buscar informações antecipadas sobre o percurso disponível e as condições de acessibilidade. A existência de passarelas melhora o acesso, mas não significa que todos os trechos tenham o mesmo nível de facilidade.

Regras de preservação

As pegadas fossilizadas são patrimônio científico e ambiental. Por isso, não é permitido andar sobre os rastros, riscar as rochas, retirar fragmentos ou tentar reproduzir as marcas com materiais improvisados. Fotografias devem ser feitas sem contato físico com as superfícies.

O acompanhamento de guias também tem uma função de segurança e conservação. Além de explicar o significado dos registros, os profissionais orientam o grupo sobre os limites de circulação e ajudam a impedir que o fluxo de visitantes provoque danos.

O plano de manejo do Monumento Natural estabelece como objetivos a preservação do conteúdo fossilífero, a educação ambiental e a recreação organizada. Na prática, isso significa que o turismo deve ocorrer de maneira compatível com a conservação do sítio.

Vale dos Dinossauros e Serrote do Letreiro

Outro ponto de relevância na região é o sítio do Serrote do Letreiro, também em Sousa. O local ganhou destaque por reunir pegadas de dinossauros e inscrições rupestres associadas à presença humana antiga.

Em 2023, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou o reconhecimento do Serrote do Letreiro como patrimônio arqueológico. O órgão destacou a associação entre as marcas de dinossauros e a arte rupestre, considerada uma ocorrência de valor singular.

O Serrote do Letreiro não deve ser automaticamente tratado como uma extensão aberta da mesma visita guiada de Passagem de Pedras. São pontos distintos, com regras próprias de acesso e preservação. Quem quiser conhecer a área deve buscar orientação oficial antes de planejar o deslocamento.

Importância científica e cultural

Os registros da Bacia do Rio do Peixe ajudam a compreender como era o ambiente do Nordeste em períodos muito anteriores à existência humana. As pegadas fornecem informações sobre os animais, os tipos de terreno e as condições ambientais do passado.

A proteção do local também tem valor educativo. Escolas, universidades, pesquisadores e turistas podem utilizar o espaço para aproximar o público de temas como geologia, paleontologia, evolução e conservação do patrimônio natural.

Em outubro de 2025, a Paraíba reconheceu o Vale dos Dinossauros como Patrimônio Material do Estado por meio da Lei nº 13.963/2025. A medida reforçou a importância histórica, científica, cultural e turística do sítio e determinou ações de preservação, valorização e divulgação.

Dicas para aproveitar o passeio

  • Consulte a Sudema antes da viagem para confirmar dias, horários e eventuais alterações na visitação.
  • Escolha roupas leves e calçados adequados para caminhar em áreas externas.
  • Leve água, protetor solar e proteção para a cabeça.
  • Chegue antes do horário da visita guiada.
  • Não toque, pise ou retire fragmentos das rochas.
  • Respeite as orientações dos guias e os limites das passarelas.
  • Confirme previamente as condições de acesso para crianças, idosos e pessoas com deficiência.
  • Verifique separadamente as regras para visitar outros sítios paleontológicos da região.

Vale a pena conhecer?

O Vale dos Dinossauros é indicado para quem procura uma experiência de turismo diferente, com contato direto com um patrimônio natural formado ao longo de milhões de anos. A atração pode interessar a famílias, estudantes, professores, pesquisadores e viajantes que desejam conhecer um dos principais registros de pegadas fossilizadas do Brasil.

O passeio exige uma postura diferente da visita a um parque de entretenimento. O destaque está na observação cuidadosa das marcas, na explicação científica e na compreensão de como a paisagem preservou vestígios de animais que desapareceram há muito tempo.

Ao planejar a visita, o mais importante é confirmar as condições de funcionamento e seguir as regras de conservação. Dessa forma, o público pode conhecer as pegadas sem comprometer a integridade de um patrimônio que pertence à história natural da Paraíba e do planeta.