domingo, 25 de outubro de 2026
Dia a Dia

Cinco costumes da Paraíba que podem surpreender quem chega de fora

Quem chega à Paraíba pode se surpreender com a força das festas juninas, a religiosidade popular, a presença do forró e a importância das feiras, da culinária e das celebrações comunitárias. Conheça cinco costumes paraibanos e saiba como vivenciá-los com respeito.

Quem chega à Paraíba pela primeira vez pode perceber que alguns costumes locais vão além de festas e pratos típicos. Em diferentes regiões do estado, tradições religiosas, manifestações populares, hábitos à mesa e formas de convivência fazem parte da rotina e ajudam a explicar a identidade paraibana.

Essas práticas não são iguais em todo o território. A Paraíba reúne litoral, Agreste, Brejo, Cariri e Sertão, áreas com histórias, ritmos, sotaques e modos de viver próprios. Ainda assim, alguns costumes aparecem com frequência e podem chamar a atenção de quem vem de outros estados ou países.

A seguir, veja cinco tradições paraibanas que ajudam a entender melhor o estado e saiba como participar delas com respeito.

1. O São João é uma temporada de convivência, não apenas uma festa

Um dos costumes da Paraíba que mais surpreendem visitantes é a dimensão das festas juninas. Durante o período de São João, ruas, praças, escolas, associações comunitárias e espaços culturais recebem apresentações, quadrilhas, shows de forró e barracas de comidas típicas.

Em muitas cidades, a programação não se resume à noite de 23 ou 24 de junho. Os festejos podem ocupar várias semanas, com ensaios, apresentações de quadrilhas e eventos organizados por bairros, municípios e grupos culturais. Em João Pessoa, por exemplo, a programação municipal inclui festivais de quadrilhas juninas e apresentações em diferentes comunidades.

As quadrilhas também podem surpreender quem associa a dança apenas a uma brincadeira escolar. Na Paraíba, muitos grupos trabalham com figurinos elaborados, coreografias, trilhas sonoras, cenários e enredos próprios. O resultado combina dança, teatro, música e referências à vida nordestina.

Há ainda uma forte participação comunitária. Famílias, costureiras, músicos, dançarinos, marcadores, artesãos e organizadores costumam se envolver durante meses na preparação dos grupos. Em João Pessoa, a produção de roupas para quadrilhas é transmitida entre gerações e movimenta uma cadeia de trabalho ligada à cultura popular.

Para quem chega de fora, a principal dica é observar que o São João não é apenas um evento para turistas. Ele tem valor afetivo e comunitário para os moradores. Fotografar apresentações costuma ser bem recebido, mas é recomendável evitar circular pelo espaço de dança, interromper ensaios ou tratar os grupos como simples atração exótica.

2. Comidas de milho aparecem em várias ocasiões

Outro costume que pode chamar a atenção é a presença frequente de preparos à base de milho, especialmente durante o período junino. Canjica, pamonha, milho cozido, bolo de milho, mungunzá e outros pratos podem aparecer em festas, reuniões familiares, escolas, igrejas e quermesses.

A comida, nesse contexto, não funciona apenas como acompanhamento da festa. Ela também representa memória familiar e transmissão de saberes. Receitas podem variar de uma casa para outra, com mudanças na textura, no uso de leite de coco, no açúcar, nos temperos e na forma de servir.

Além das comidas juninas, visitantes costumam encontrar pratos associados ao cotidiano paraibano, como carne de sol, macaxeira, feijão-verde, queijo de coalho, cuscuz e preparações com arroz e feijão. No entanto, não existe um único cardápio que represente todo o estado. A culinária do litoral tem características diferentes das receitas mais comuns no Sertão ou no Cariri.

Um hábito útil para quem chega é perguntar como o prato é preparado antes de fazer comparações com a culinária de sua região. O mesmo nome pode designar receitas diferentes, e ingredientes como pimenta, coentro, leite de coco, manteiga de garrafa ou carne de sol podem aparecer em proporções variadas.

Também vale experimentar os alimentos em feiras, mercados e restaurantes locais, dando preferência a estabelecimentos que apresentem boas condições de higiene. Em festas de rua, é importante observar a conservação dos alimentos e verificar se há opções adequadas para pessoas com alergias, restrições alimentares ou necessidades específicas.

3. O forró está presente em mais situações do que o visitante imagina

O forró é outro elemento central da cultura paraibana. Ele aparece em festas juninas, eventos comunitários, bares, clubes, festivais e encontros familiares. Para quem vem de fora, pode surpreender a facilidade com que a música é incorporada à convivência cotidiana.

Não é necessário ser dançarino experiente para participar. Em muitos ambientes, o convite para dançar é informal, e os passos são aprendidos durante a própria interação. Ainda assim, é importante respeitar o espaço e os limites da outra pessoa. Um convite recusado deve ser aceito sem insistência.

O repertório também é mais amplo do que algumas versões comerciais apresentadas fora do Nordeste. Dependendo do local, o público pode ouvir baião, xote, xaxado, arrasta-pé e outras variações associadas à música nordestina. Bandas e trios podem usar sanfona, zabumba e triângulo, formação que se tornou uma das marcas do forró tradicional.

Em apresentações de quadrilhas e festivais, a música pode acompanhar narrativas sobre fé, trabalho, vida rural, migração, romances e personagens populares. Por isso, o visitante pode encontrar diferentes formas de representar a cultura nordestina, sem que exista um único modelo de espetáculo.

Uma forma respeitosa de participar é observar primeiro como o público se comporta. Em bailes e festas, roupas leves e calçados confortáveis ajudam, especialmente quando há dança. Também é recomendável pedir autorização antes de fotografar pessoas de perto, principalmente crianças, idosos e participantes caracterizados.

4. A religiosidade popular ocupa as ruas

A religiosidade é uma presença importante em diversas comunidades paraibanas. Procissões, novenas, festas de padroeiro, caminhadas e pagamentos de promessas reúnem moradores ao longo do ano. Essas manifestações misturam fé, convivência comunitária e tradição familiar.

Um dos exemplos mais conhecidos é a Romaria de Nossa Senhora da Penha, em João Pessoa. A caminhada percorre cerca de 14 quilômetros entre a região central da capital e o Santuário de Nossa Senhora da Penha, na área litorânea. A tradição está ligada a uma promessa feita no século XVIII pelo português Sílvio Siqueira, que teria prometido construir uma capela após enfrentar uma tempestade no mar.

A romaria ocorre tradicionalmente no fim de novembro e reúne pessoas que caminham por motivos religiosos, como agradecimento, pedido ou cumprimento de promessa. Para quem não participa da devoção, acompanhar o percurso exige postura cuidadosa: não bloquear a passagem, evitar música alta em áreas de oração e respeitar momentos de silêncio.

Também é importante não presumir que toda manifestação religiosa funciona como atração turística. Muitos participantes estão envolvidos em experiências pessoais de fé. Fotografias podem ser feitas em espaços públicos, mas o ideal é evitar registros invasivos e pedir autorização quando a imagem destacar uma pessoa ou um grupo específico.

Visitantes que desejam acompanhar uma procissão devem verificar previamente o percurso, a duração e as orientações dos organizadores. Em caminhadas longas, é recomendável usar roupas confortáveis, levar água e proteger-se do sol. Em eventos noturnos, também é importante combinar pontos de encontro e manter atenção aos pertences.

5. Feiras e artesanato são espaços de encontro

Feiras livres, mercados públicos e espaços de artesanato cumprem funções que vão além da compra e venda. Em muitas cidades paraibanas, esses locais são pontos de encontro, conversa, alimentação e circulação de saberes. O visitante pode encontrar peças de palha, barro, madeira, tecidos, bordados, rendas e outros produtos feitos por artesãos locais.

Durante as festas juninas, o artesanato costuma ganhar novas referências. Bandeirolas, estandartes, objetos de decoração, acessórios de tecido e peças inspiradas nas roupas das quadrilhas podem ocupar feiras e eventos culturais. Essas produções ajudam a manter técnicas e fontes de renda para famílias e grupos comunitários.

Um costume que pode surpreender quem chega de fora é a negociação direta. Em algumas feiras, o preço pode ser conversado, especialmente quando o cliente compra mais de uma peça. Isso não significa, porém, que o trabalho artesanal deva ser desvalorizado. Perguntar o preço com respeito e evitar propostas muito abaixo do valor anunciado são atitudes recomendáveis.

Também vale perguntar sobre a origem do produto. Nem todo item vendido em uma feira é necessariamente produzido na Paraíba. Ao buscar peças feitas por artesãos locais, o visitante contribui de forma mais direta para a economia cultural da comunidade.

Antes de fotografar uma banca, uma oficina ou o processo de produção, peça autorização ao artesão. Alguns modos de fazer são resultado de conhecimento familiar e comunitário, e a imagem do produto ou da técnica pode ter significado comercial e cultural.

Como se adaptar aos costumes locais

A melhor forma de conhecer a Paraíba é evitar generalizações. O estado tem diferenças entre suas regiões e entre áreas urbanas, rurais, litorâneas e sertanejas. Um costume comum em João Pessoa pode não ter a mesma importância em Patos, Campina Grande, Sousa, Monteiro ou em municípios do Brejo.

Para aproveitar a experiência, observe os moradores, faça perguntas e aceite que algumas tradições possuem significados que não aparecem imediatamente para quem chega. Em festas religiosas, respeite os participantes. Em apresentações culturais, não interrompa os grupos. Em feiras, valorize o trabalho dos produtores. À mesa, experimente com curiosidade, mas informe restrições alimentares.

Mais do que uma lista de hábitos, os cinco costumes mostram como a cultura paraibana se organiza em torno da convivência. A música, a comida, a fé, as festas e o artesanato não aparecem isoladamente: eles se conectam em eventos que reúnem famílias, vizinhos, artistas, comerciantes e visitantes.

Informações sobre manifestações culturais podem ser consultadas em canais oficiais, como o portal da Prefeitura de João Pessoa, o Turismo João Pessoa e as páginas do Iphan sobre patrimônio cultural imaterial.