Falar em turismo na Paraíba costuma levar o visitante diretamente às praias do litoral. O estado, porém, reúne atrações que vão muito além do mar: cidades históricas, paisagens de Caatinga, sítios arqueológicos, festas populares, museus, engenhos e registros paleontológicos.
Conhecer a Paraíba além das praias é também entender como diferentes povos, atividades econômicas e manifestações culturais ajudaram a formar o estado. Um roteiro pelo interior pode incluir desde o patrimônio arquitetônico do Brejo até as formações rochosas do Cariri e as pegadas de dinossauros no Sertão.
Areia combina história, arquitetura e cultura
Localizada no Brejo paraibano, no alto da Serra da Borborema, Areia é uma das principais referências históricas e culturais do estado. O conjunto histórico e urbanístico do município é protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reúne cerca de 420 imóveis, com construções dos séculos XVIII e XIX. A cidade também é reconhecida pela paisagem marcada por ruas inclinadas e casarões que acompanham o relevo. (portal.iphan.gov.br)
Areia é ainda conhecida por ser a terra natal do pintor Pedro Américo, autor de Independência ou Morte, obra mais conhecida como O Grito do Ipiranga, e do escritor José Américo de Almeida. O Museu de Pedro Américo reúne réplicas de obras do artista e ajuda a apresentar a relação entre a produção cultural brasileira e a cidade paraibana. (portal.iphan.gov.br)
Outro destaque é o Teatro Minerva, construído em 1859. Considerado o teatro mais antigo da Paraíba ainda em atividade, o espaço integra o conjunto histórico de Areia e preserva elementos arquitetônicos associados ao século XIX. Antes de visitar, é recomendável consultar a programação e as condições de acesso, porque horários de funcionamento podem variar. (gov.br)
Para aproveitar melhor a cidade, reserve tempo para caminhar pelo centro histórico, visitar museus e conhecer a produção ligada à cana-de-açúcar, à rapadura e à cachaça. A combinação entre patrimônio urbano, paisagem serrana e gastronomia faz de Areia uma opção adequada para viagens de fim de semana.
Ingá guarda um dos mais importantes sítios arqueológicos do estado
No município de Ingá, a principal atração é o sítio arqueológico Itacoatiaras do Rio Ingá, conhecido popularmente como Pedra do Ingá. O local é tombado pelo Iphan desde 1944 e reúne gravuras entalhadas em um paredão rochoso às margens do rio Ingá de Bacamarte.
As inscrições despertam interesse científico e cultural há décadas. Algumas figuras foram interpretadas como representações de animais, frutas, seres humanos e possíveis constelações, mas não existe consenso definitivo sobre o significado de todos os sinais. Por isso, o visitante deve evitar apresentar como fato teorias que relacionam as gravuras a povos ou civilizações sem comprovação arqueológica. (gov.br)
O nome “itacoatiara” vem do tupi e é associado à ideia de pedra riscada ou pintada. O complexo conta com um Museu de História Natural aberto ao público, de acordo com informações do Iphan. A visita é indicada para quem se interessa por arqueologia, história indígena e geologia. (gov.br)
Como se trata de um sítio protegido, não se deve tocar, riscar ou tentar remover fragmentos das rochas. Também é importante confirmar previamente os horários de visitação, as regras do local e a necessidade de acompanhamento.
Cabaceiras revela a paisagem do Cariri
Cabaceiras, no Cariri paraibano, é conhecida como “Roliúde Nordestina” por ter servido de cenário para produções cinematográficas e televisivas. A cidade ganhou projeção nacional especialmente por sua relação com obras inspiradas na cultura nordestina, como O Auto da Compadecida. A vocação audiovisual se soma às paisagens de pedras, à arquitetura local e às tradições ligadas à criação de caprinos. (cabaceiras.pb.gov.br)
O município também é uma das portas de entrada para a Área de Proteção Ambiental do Cariri, unidade de conservação que abrange Cabaceiras, Boa Vista e São João do Cariri. Entre os atrativos da região estão o Lajedo de Pai Mateus, o Complexo Saca de Lã, o Cânion do Rio Soledade e outras formações rochosas associadas à paisagem da Caatinga. (sudema.pb.gov.br)
O Lajedo de Pai Mateus é procurado por suas rochas, trilhas e importância cultural. A visita exige atenção às condições climáticas, ao tipo de terreno e à disponibilidade de condutores. A Sudema recomenda verificar as rotas de acesso e entrar em contato com responsáveis pelos atrativos ou com condutores locais cadastrados antes do passeio. (sudema.pb.gov.br)
Cabaceiras também realiza eventos que misturam cultura, gastronomia, música e tradição regional. A Festa do Bode Rei é uma das celebrações associadas à identidade do município, mas a programação muda a cada edição. Quem pretende viajar durante o período festivo deve consultar os canais oficiais da prefeitura e confirmar datas, atrações e condições de acesso.
Sousa apresenta a Paraíba dos dinossauros
No Sertão, o Vale dos Dinossauros, em Sousa, oferece uma experiência diferente das atrações litorâneas e históricas. O Monumento Natural está localizado no sítio Passagem de Pedras e conserva marcas fossilizadas atribuídas à passagem de dinossauros pela região da Bacia do Rio do Peixe.
O local possui passarelas, mirantes, trilhas e um museu com informações sobre as espécies que habitaram a área. A Sudema classifica o Vale como um dos sítios paleontológicos mais importantes do mundo e informa que os vestígios estão associados a aproximadamente 80 espécies que viveram na região em período pré-histórico. (sudema.pb.gov.br)
Outro ponto de interesse é o Sítio do Serrote do Letreiro, também na região de Sousa. O Iphan reconheceu a importância do local por reunir pegadas de dinossauros e gravuras rupestres em uma mesma área, uma associação considerada singular. O caso mostra como patrimônio paleontológico e patrimônio arqueológico podem aparecer lado a lado na paisagem sertaneja. (gov.br)
As condições de visitação podem mudar em razão de obras, pesquisas ou medidas de preservação. A página da Sudema informa visitas guiadas em horários determinados, mas é prudente confirmar a agenda diretamente com os órgãos responsáveis antes de organizar o deslocamento. (sudema.pb.gov.br)
Campina Grande concentra festas, música e memória urbana
Campina Grande é um dos principais centros urbanos e culturais da Paraíba. A cidade é nacionalmente associada ao São João, mas sua relevância não se limita ao calendário junino. O município também preserva referências ligadas à história econômica regional, à música e à produção cultural.
O Museu do Algodão, instalado na antiga estação ferroviária, ajuda a compreender a importância que o produto teve para o desenvolvimento de Campina Grande e para as conexões comerciais do interior paraibano. A cidade também abriga o Museu de Arte Popular da Paraíba, conhecido como Museu dos Três Pandeiros, projetado por Oscar Niemeyer, além de espaços culturais e feiras de artesanato.
Durante o período junino, o movimento aumenta e a procura por hospedagem e transporte costuma ser maior. Para quem deseja visitar a cidade nessa época, a recomendação é reservar serviços com antecedência e acompanhar a programação oficial. Em 2026, a prefeitura informou que a festa ocorreu de 3 de junho a 5 de julho, mas datas e formato podem mudar em anos seguintes. (campinagrande.pb.gov.br)
Outras histórias para incluir no roteiro
A Paraíba também oferece outros caminhos para quem quer aprofundar o contato com a história e a cultura do estado. Em João Pessoa, o centro histórico reúne igrejas, casario, praças e edifícios associados a diferentes períodos da formação urbana. O conjunto foi tombado pelo Iphan em 2009, com proteção para centenas de edificações e áreas dos bairros do Varadouro e da Cidade Alta. (gov.br)
O patrimônio paraibano inclui ainda a Fazenda Acauã, em Aparecida, no Sertão. O conjunto de casa, capela e sobrado, construído no século XVIII, é apontado pelo Iphan como referência da ocupação do interior e da arquitetura rural ligada às antigas fazendas de gado. O local também se relaciona à infância do escritor Ariano Suassuna. (gov.br)
Em diferentes regiões, festas religiosas, grupos de teatro de bonecos, bandas de pífanos, quadrilhas, reisados, artesanato e culinária ajudam a explicar a diversidade cultural paraibana. O Iphan mantém ações de mapeamento do patrimônio imaterial em municípios de várias áreas do estado, incluindo Areia, Cabaceiras, Ingá, Monteiro, Patos, Taperoá e João Pessoa. (bcr.iphan.gov.br)
Como planejar uma viagem pela Paraíba além das praias
- Escolha uma região: Brejo, Agreste, Cariri e Sertão têm distâncias e características diferentes. Tentar conhecer todos os pontos em poucos dias pode deixar o roteiro cansativo.
- Confirme horários: museus, teatros, sítios arqueológicos e unidades de conservação podem ter atendimento em dias específicos ou exigir agendamento.
- Considere o clima: trilhas e formações rochosas exigem proteção contra o sol, água, calçados adequados e atenção às condições do terreno.
- Valorize guias locais: em áreas naturais e arqueológicas, condutores ajudam na interpretação da paisagem e reduzem riscos durante o percurso.
- Respeite o patrimônio: não toque em gravuras, não recolha pedras ou fósseis e siga as orientações de conservação.
- Combine cultura e gastronomia: engenhos, mercados, feiras e restaurantes regionais complementam a experiência das visitas históricas.
Viajar pela Paraíba além das praias é descobrir um estado formado por contrastes: litoral e sertão, Mata Atlântica e Caatinga, patrimônio colonial e ciência paleontológica, festas populares e produção audiovisual. Com planejamento e respeito às regras de cada atração, o interior paraibano pode transformar uma viagem comum em uma imersão na história, na natureza e na cultura do Nordeste.








