Em dias de calor intenso, crianças e pessoas idosas precisam de atenção redobrada. Esses grupos podem ter mais dificuldade para perceber a sede, regular a temperatura do corpo e comunicar que não estão bem. A exposição prolongada a altas temperaturas aumenta o risco de desidratação, exaustão pelo calor e insolação.
O Ministério da Saúde recomenda que a população mantenha a hidratação, permaneça em locais frescos e ventilados, evite esforço físico nos horários mais quentes e acompanhe de perto pessoas mais vulneráveis. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que podem sofrer consequências mais graves durante ondas de calor. (gov.br)
Os cuidados devem ser reforçados também em períodos de temperaturas elevadas que não chegam a ser classificados como onda de calor. Na prática, a prevenção começa com medidas simples dentro de casa e com a observação frequente do estado de saúde.
Por que crianças e idosos exigem mais cuidado
O organismo das crianças, especialmente o dos bebês, ainda está em desenvolvimento e pode apresentar maior dificuldade para controlar a temperatura corporal. Elas também dependem dos adultos para receber líquidos, usar roupas adequadas e permanecer em ambientes protegidos do sol.
Já as pessoas idosas podem ter redução da sensação de sede, mobilidade limitada ou doenças que aumentam a sensibilidade ao calor. Alguns medicamentos e condições de saúde também podem influenciar a hidratação e a capacidade de resfriamento do organismo. Por isso, remédios de uso contínuo não devem ser interrompidos ou alterados sem orientação de um profissional de saúde.
A presença de doenças cardíacas, renais, respiratórias, diabetes e hipertensão exige atenção adicional. Em caso de dúvida sobre a quantidade de líquidos, a rotina de atividades ou o uso de medicamentos durante os dias quentes, a recomendação é procurar a equipe da Unidade Básica de Saúde que acompanha a pessoa.
Hidratação deve ser oferecida ao longo do dia
A sede nem sempre aparece antes da desidratação, principalmente em crianças pequenas e idosos. Por isso, a oferta de líquidos deve ocorrer várias vezes ao dia, sem esperar que a pessoa peça água.
- Ofereça água com frequência a crianças que já consomem líquidos normalmente.
- Deixe uma garrafa ou copo acessível para a pessoa idosa, ajudando-a a lembrar de beber.
- Prefira água e, quando adequado, sucos naturais sem excesso de açúcar.
- Evite bebidas alcoólicas e reduza o consumo de bebidas muito açucaradas ou com cafeína.
- Em caso de vômitos ou diarreia, procure orientação sobre o uso de solução de reidratação oral.
A quantidade necessária varia conforme a idade, a alimentação, o nível de atividade física e as condições de saúde. Pessoas com restrição de líquidos, como alguns pacientes com doenças cardíacas ou renais, devem seguir a orientação médica individualizada.
Bebês em amamentação
Bebês com menos de seis meses que são amamentados exclusivamente não precisam receber água, chás, sucos ou outros líquidos, mesmo em dias quentes. O leite materno fornece a hidratação necessária; nesses períodos, o bebê pode mamar com mais frequência. (gov.br)
A recomendação é manter a amamentação em livre demanda e buscar ajuda em uma Unidade Básica de Saúde, banco de leite ou serviço de referência se houver dificuldade para amamentar. Para crianças que utilizam fórmula infantil ou já iniciaram a alimentação complementar, a oferta de líquidos deve seguir a orientação do profissional responsável pelo acompanhamento.
Como manter a casa mais fresca
O ambiente doméstico deve ser ventilado e protegido do sol, principalmente nos horários em que a temperatura externa estiver mais alta. O Ministério da Saúde orienta abrir as janelas no início da manhã e à noite, quando o ar tende a estar mais fresco, e manter cortinas ou persianas fechadas durante o período mais quente. (miniapps.saude.gov.br)
- Use roupas leves, largas e, de preferência, de cores claras.
- Priorize ambientes com sombra, ventilação ou climatização.
- Ofereça banhos em temperatura confortável para refrescar o corpo.
- Use panos úmidos com água fresca no rosto, nos punhos e atrás do pescoço quando houver desconforto pelo calor.
- Evite cobrir excessivamente bebês, crianças pequenas e pessoas acamadas.
- Nunca deixe crianças, idosos ou qualquer pessoa dentro de veículo parado, mesmo por pouco tempo.
Ventiladores podem ajudar na circulação do ar, mas não substituem a hidratação e não devem ser usados para criar uma falsa sensação de segurança em ambientes extremamente quentes. Quando possível, é importante buscar um local mais fresco e acompanhar a temperatura do corpo e o comportamento da pessoa.
Adapte passeios, brincadeiras e atividades físicas
Atividades ao ar livre devem ser programadas para os horários mais frescos do dia, como o início da manhã ou o fim da tarde. Entre o fim da manhã e o meio da tarde, a exposição ao sol e o esforço físico devem ser reduzidos, especialmente para crianças pequenas e idosos.
Durante passeios, leve água, use roupas leves, chapéu ou boné e procure locais sombreados. O protetor solar ajuda a prevenir queimaduras, mas não impede os efeitos do calor intenso. A proteção deve incluir sombra, roupas adequadas e pausas frequentes.
Em escolas, creches, instituições de longa permanência e outros espaços coletivos, é importante garantir acesso à água, ventilação e áreas protegidas do sol. Durante uma onda de calor, atividades físicas ou recreativas podem precisar de adaptação ou suspensão, conforme as condições do ambiente. (miniapps.saude.gov.br)
Alimentação leve ajuda no conforto
Nos dias quentes, dê preferência a refeições leves e frescas, com frutas, verduras e outros alimentos adequados à faixa etária. O apetite pode diminuir, mas a pessoa deve continuar recebendo alimentação em pequenas porções ao longo do dia, conforme sua rotina.
Alimentos perecíveis exigem atenção redobrada. O calor favorece a deterioração e pode aumentar o risco de doenças transmitidas por alimentos. Mantenha os alimentos refrigerados, lave frutas e verduras com água segura e descarte produtos que apresentem alteração de cheiro, cor ou textura.
Em crianças pequenas, não ofereça alimentos, sucos ou bebidas inadequados para a idade. A partir dos seis meses, a alimentação complementar deve seguir as orientações do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos e o acompanhamento da equipe de saúde.
Observe os sinais de desidratação
A desidratação pode começar com sinais discretos. Em crianças, os responsáveis devem observar boca e lábios secos, choro sem lágrimas, redução da quantidade de urina, fraldas menos molhadas, irritabilidade, sonolência fora do habitual e recusa de líquidos ou alimentos.
Em pessoas idosas, os sinais podem incluir fraqueza, tontura, dor de cabeça, confusão, sonolência, boca seca, urina mais escura ou em menor quantidade e piora repentina de doenças já existentes. Uma mudança súbita de comportamento deve ser levada a sério.
Se houver vômitos persistentes, diarreia, dificuldade para beber líquidos, desmaio, respiração acelerada, fraqueza intensa ou ausência de urina, procure atendimento de saúde. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas podem se agravar mais rapidamente.
Insolação é uma emergência
A insolação é uma condição grave provocada pela exposição excessiva ao sol e ao calor. Pode ocorrer quando o corpo não consegue mais regular sua temperatura e exige atendimento imediato. Confusão mental, alteração do nível de consciência, desmaio, convulsão, pele muito quente e temperatura corporal elevada são sinais de alerta.
Até a chegada do atendimento, leve a pessoa para um local fresco, ventilado e protegido do sol. Retire o excesso de roupas, aplique panos úmidos ou água fresca no corpo e mantenha a pessoa em repouso. Se estiver consciente e conseguir engolir, pode receber líquidos não alcoólicos. Não ofereça líquidos a uma pessoa desacordada ou com dificuldade para engolir.
Em situações graves, acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192 ou procure imediatamente um serviço de emergência. A insolação pode causar danos ao cérebro, coração, rins e músculos e pode ser fatal quando o atendimento demora. (gov.br)
Cuidados para familiares e cuidadores
Durante os dias mais quentes, familiares e cuidadores devem estabelecer uma rotina de verificação. Pergunte regularmente se a pessoa está bem, ofereça líquidos, observe a urina e confira se o ambiente está confortável.
Para idosos que moram sozinhos, é recomendável combinar contatos frequentes com familiares, vizinhos ou pessoas de confiança. A rede de apoio é importante para identificar rapidamente sinais de desidratação, confusão ou piora de uma doença crônica.
Também é importante acompanhar os avisos meteorológicos e as orientações das autoridades de saúde. A prevenção deve ser reforçada quando houver previsão de temperaturas muito elevadas, baixa umidade do ar ou vários dias consecutivos de calor.
Quando buscar atendimento
Procure uma unidade de saúde diante de sinais de desidratação, febre persistente, vômitos ou diarreia, piora de doenças crônicas, falta de ar, dor no peito, confusão, desmaio ou dificuldade para manter a pessoa hidratada.
Em caso de emergência, ligue para o SAMU 192. Para orientações de rotina, a Unidade Básica de Saúde pode avaliar a criança ou o idoso, revisar cuidados, orientar a hidratação e indicar o serviço adequado.
Mais informações podem ser consultadas nas orientações do Ministério da Saúde sobre ondas de calor, na página sobre insolação e nas recomendações oficiais sobre amamentação.








