segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Saúde

Período de chuvas exige atenção para doenças transmitidas por mosquitos na Paraíba

Chuvas e altas temperaturas podem favorecer a proliferação do Aedes aegypti na Paraíba. Saiba como eliminar criadouros, usar repelentes corretamente e reconhecer sinais que exigem atendimento médico.

O período de chuvas exige atenção redobrada para as doenças transmitidas por mosquitos na Paraíba. A combinação de água acumulada, calor e umidade pode favorecer a reprodução do Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão de dengue, chikungunya e zika.

A prevenção depende de medidas simples, mas que precisam ser mantidas de forma contínua dentro e fora de casa. Retirar recipientes que acumulam água, manter reservatórios fechados e observar sintomas são atitudes importantes para reduzir o risco de transmissão e evitar o agravamento das doenças.

De acordo com o Ministério da Saúde, as arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por artrópodes, como mosquitos. No caso da dengue, da chikungunya e do zika, o principal vetor urbano no Brasil é o Aedes aegypti. (gov.br)

Por que as chuvas aumentam o risco?

A fêmea do Aedes aegypti deposita os ovos em recipientes que podem acumular água, como baldes, pneus, garrafas, pratos de vasos, calhas, caixas-d’água e objetos deixados em áreas abertas. Depois das chuvas, pequenos volumes de água podem ser suficientes para criar condições de reprodução do mosquito.

O risco não está apenas em grandes alagamentos ou em locais abandonados. Um recipiente aparentemente pequeno, como uma tampa, brinquedo, copo descartável ou saco plástico, também pode se transformar em criadouro quando permanece exposto à água.

O período de maior transmissão pode variar conforme a região e as condições climáticas. Diretrizes do Ministério da Saúde apontam que, no país, o aumento de casos costuma ocorrer principalmente entre outubro e maio, em um cenário de temperaturas elevadas e maior umidade, embora possa haver diferenças entre os estados e municípios. (gov.br)

O que fazer dentro de casa

A inspeção deve ser realizada pelo menos uma vez por semana, incluindo quintais, varandas, áreas de serviço, garagens, lajes e terrenos. A orientação do Ministério da Saúde é eliminar recipientes que possam acumular água ou manter reservatórios completamente cobertos.

  • Vire garrafas, baldes, potes e outros recipientes com a abertura voltada para baixo.
  • Retire folhas, terra e sujeira das calhas para evitar o acúmulo de água.
  • Mantenha caixas-d’água, tonéis e outros reservatórios bem tampados.
  • Coloque areia nos pratos de vasos de plantas ou elimine esses pratos.
  • Guarde pneus em local coberto e protegido da chuva.
  • Limpe ralos e verifique se eles permanecem sem água parada.
  • Descarte corretamente latas, copos, embalagens e objetos sem uso.
  • Confira bandejas de geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e bebedouros.

Quando houver necessidade de armazenar água, o recipiente deve estar vedado. A tampa precisa impedir a entrada do mosquito, e não apenas cobrir parcialmente a abertura.

Cuidados em áreas externas e espaços coletivos

A prevenção também depende da atenção em escolas, condomínios, estabelecimentos comerciais, canteiros de obras, cemitérios e terrenos. Locais com grande circulação de pessoas podem ter recipientes esquecidos ou estruturas capazes de acumular água após as chuvas.

Moradores devem comunicar à prefeitura ou à unidade de saúde do município a existência de possíveis criadouros em áreas públicas ou imóveis abandonados. A eliminação do mosquito exige ação conjunta entre população, serviços de limpeza urbana, agentes de combate às endemias e demais órgãos públicos.

Em condomínios, a vistoria deve incluir áreas comuns, coberturas, estacionamentos, depósitos e jardins. O responsável pelo imóvel precisa verificar também objetos que ficam fora das unidades, como carrinhos, lonas, vasos e materiais de manutenção.

Como se proteger das picadas

O Aedes aegypti costuma picar principalmente durante o dia. Por isso, a proteção deve ser adotada ao longo de todo o período de atividade, especialmente em locais onde há transmissão de arboviroses.

Entre as medidas recomendadas estão o uso de roupas que cubram braços e pernas, telas em portas e janelas, mosquiteiros e repelentes registrados. O produto deve ser aplicado nas áreas expostas do corpo e reaplicado conforme as instruções do fabricante.

O Ministério da Saúde informa que repelentes à base de DEET, icaridina ou IR3535 podem ser usados de acordo com a faixa etária e as orientações do rótulo. Produtos em spray devem ser aplicados primeiro nas mãos antes de serem espalhados no rosto ou no corpo de crianças. (gov.br)

Repelentes de uso oral, como comprimidos, vitaminas ou suplementos com a promessa de afastar o mosquito, não têm indicação aprovada para essa finalidade. A Anvisa orienta que os consumidores observem o registro do produto e sigam as informações da embalagem. (gov.br)

Orientações para crianças e gestantes

Crianças pequenas precisam de cuidados específicos. O uso de repelente em menores de 2 anos deve ocorrer somente com orientação médica. Entre 2 e 12 anos, produtos à base de DEET devem respeitar a concentração máxima indicada pelas autoridades sanitárias e o limite de aplicações previsto na orientação oficial.

Em crianças, o adulto deve fazer a aplicação, evitando contato com olhos, boca, mãos e áreas irritadas da pele. O repelente não deve ser aplicado por baixo da roupa nem sobre ferimentos.

Gestantes podem utilizar repelentes registrados, desde que sigam as instruções do fabricante. Também é recomendado o uso de roupas que protejam a maior parte do corpo e a instalação de telas ou mosquiteiros quando possível. Em caso de dúvida, a gestante deve buscar orientação na unidade de saúde que acompanha o pré-natal. (gov.br)

Quais são os sintomas mais comuns?

Dengue, chikungunya e zika podem apresentar sintomas semelhantes, como febre, dor de cabeça, mal-estar, dores no corpo e manchas na pele. A intensidade e a duração das manifestações variam, e somente a avaliação de um profissional de saúde pode indicar a conduta adequada.

Na dengue, os sinais mais frequentes incluem febre alta de início repentino, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, náusea, cansaço, dores musculares ou articulares e manchas vermelhas no corpo. A chikungunya costuma estar associada a dores intensas nas articulações, enquanto o zika pode causar manchas, coceira, febre baixa, olhos vermelhos e dores articulares.

Não é recomendado tentar diferenciar as doenças apenas pelos sintomas ou utilizar medicamentos por conta própria. A pessoa com suspeita deve procurar uma unidade de saúde para avaliação, especialmente se tiver febre ou se fizer parte de grupos com maior risco de complicações.

Sinais de alerta para dengue grave

Na dengue, a piora pode ocorrer justamente quando a febre começa a diminuir, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia após o início dos sintomas. Por isso, a melhora da temperatura não significa necessariamente que o risco passou.

É necessário procurar atendimento de urgência diante de sinais como:

  • dor abdominal intensa e contínua;
  • vômitos persistentes;
  • tontura, desmaio ou fraqueza intensa;
  • dificuldade para respirar;
  • sangramento no nariz, nas gengivas, nas fezes ou em outras partes do corpo;
  • sonolência excessiva, irritabilidade ou confusão;
  • redução importante da urina;
  • piora do estado geral após o período de febre.

O Ministério da Saúde orienta que pessoas com febre e sintomas compatíveis procurem atendimento e não se automediquem. Em caso de sangramento ou sinal de alarme, a busca por um serviço de urgência deve ser imediata. (gov.br)

Hidratação e medicamentos

Enquanto aguarda avaliação ou conforme orientação profissional, a pessoa com suspeita de dengue deve manter repouso e ingerir líquidos. A hidratação é uma das principais medidas de suporte, mas não substitui o acompanhamento clínico.

O uso de medicamentos deve ser orientado por profissional de saúde. A automedicação pode aumentar o risco de complicações, principalmente quando o paciente utiliza remédios que favorecem sangramentos ou tem outras doenças.

Pessoas idosas, crianças pequenas, gestantes e indivíduos com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas ou renais, devem receber atenção especial diante de sintomas suspeitos.

O que fazer se houver alguém doente em casa

A pessoa com suspeita de dengue, chikungunya ou zika também deve evitar novas picadas para não contribuir para a transmissão. O uso de repelente, telas e mosquiteiro ajuda a reduzir a possibilidade de o mosquito adquirir o vírus ao picar o paciente e transmiti-lo a outras pessoas.

Também é importante manter o ambiente sem água parada, porque a presença de um mosquito infectado pode ampliar a circulação da doença entre familiares e vizinhos.

Em caso de sintomas, a recomendação é procurar a unidade básica de saúde ou outro serviço indicado pela rede municipal. Se houver sinais de gravidade, a pessoa deve ser encaminhada imediatamente para atendimento de urgência.

Checklist semanal de prevenção

Uma vistoria de poucos minutos pode ajudar a reduzir os criadouros. O morador deve verificar o quintal, as plantas, as calhas, os ralos, os reservatórios, os brinquedos, os pneus e todos os objetos expostos à chuva.

A prevenção precisa continuar mesmo depois que a água da chuva seca. Os ovos do Aedes aegypti podem permanecer em recipientes e dar origem a novos mosquitos quando entram novamente em contato com a água.

Na Paraíba, a participação da população é essencial para complementar o trabalho das equipes de vigilância. A eliminação dos criadouros, a proteção contra picadas e a busca rápida por atendimento são as principais medidas para enfrentar as doenças transmitidas por mosquitos durante o período de chuvas.